Blog Arte e Educação

PARTICIPE!

  

1 - ARTE-EDUCAÇÃO NÃO SERVE APENAS PARA INCLUSÃO SOCIAL

2 - ENTREVISTA COM A PROFª. DRª. ROSA IAVELBERG

3 - ARTE TAMBÉM DEVE INCLUIR DEFICIENTES

4 - A ARTE NA ESCOLA

5 - ARTE NA ESCOLA: FORMANDO CRÍTICOS

6 - LEITURA RECOMENDADA

7 - A FUNÇÃO DA ARTE-EDUCAÇÃO

8 -ARTE NO ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS FINAIS - BNCC


Atenção: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do site Arte-Educação. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O site Arte-Educação, poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema.


ARTE-EDUCAÇÃO NÃO SERVE APENAS PARA INCLUSÃO SOCIAL

Texto de Mariana Gallo



“A atividade artística não deve ser vista apenas como objeto de inclusão”, acredita Roberta Puccetti, diretora da Faculdade de Artes da PUC de Campinas. Segundo ela, a inclusão do deficiente físico através da arte ajuda não só no ambiente social, mas também no desenvolvimento físico e psicológico do portador de necessidades especiais.

Ela explica que no trabalho em pintura e a cerâmica há o esforço físico e psicológico para que o aluno conclua o trabalho. “Para o deficiente mental é um trabalho muito grande para se chegar ao resultado final de um trabalho; esse esforço já é importante para ele”, explica.

Segundo ela, todo o trabalho de arte deve visar a qualidade, o desenvolvimento e os avanços alcançados durante sua realização. “É muito ruim quando a pessoa vê o trabalho de um deficiente e aplaude somente a ele, o que as pessoas tem que aplaudir é a evolução que ele teve e a perspectiva e a qualidade com que ele fez o trabalho”, afirma.

A busca de conhecimentos para lidar com um deficiente dentro de sala de aula foi outra questão levantada pela professora. Segundo Amanda Tojal, diretora de arte da Pinacoteca de São Paulo, muitos profissionais saem das faculdades despreparados para receber um aluno deficiente e por isso o ensino acaba prejudicado. “Hoje em dia é essencial que um aluno já sai da faculdade sabendo como vai ensinar um aluno deficiente em sala de aula”, reforça.

Ainda segundo ela é necessário que as escolas busquem orientação para a questão. “É muito importante que o professor e a escola busquem ajuda e orientação tanto de pais, quanto de psicólogos e terapeutas para incluir o aluno de maneira que não o prejudique e sim que ele evolua” explica.

Amanda também ressalta a importância dos educadores não só dentro da escola, mas também nos espaços públicos de arte como museus e galerias de arte. Ela explica que é muito importante ter educadores nesses locais, pois o educador é o elo inclusão entre o deficiente e a arte. Um exemplo dessa inclusão dado pela a professora, é o projeto da Pinacoteca do Estado de São Paulo que durante a visita dos deficientes, educadores dão aula de arte e reproduzem obras para que sejam tocadas por deficientes visuais.


ENTREVISTA COM A PROFª. DRª. ROSA IAVELBERG

A Profª. Drª. Rosa Iavelberg é uma das autoras dos PCN na área de Artes e diretora do Centro Universitário Mariantônia, da USP



Voltando às minhas buscas por assuntos ligados a Arte-Educação, encontrei esta entrevista no site: http://aguarras.com.br/category/arte-educacao/



1. Profª. Rosa, como você avalia a atual situação do ensino de arte nas escolas brasileiras?

O quadro é diversificado. Temos projetos com qualidade, mas um número expressivo de escolas da rede pública e privada não desenvolve trabalhos adequados à aprendizagem em arte e não promove a formação cultural.

2. Qual seria, na sua visão, o ideal do ensino de arte nas escolas?

Creio que as equipes de professores e profissionais das escolas e secretarias deveriam ter autonomia para concretizar, em paradigmas contemporâneos, o desenho curricular e a orientação dos professores, com abertura a avaliadores internos e externos para acompanhar as práticas em seus resultados de aprendizagem.

Os aspectos importantes são: a formação dos professores para ensinar arte, programas de acessibilidade aos bens artísticos e culturais, com provisão de meios para acessá-los e, principalmente, a inclusão de arte como área de conhecimento na escola, como forma imprescindível à educação das crianças e jovens.

Além disto, toda ação educativa precisa ser concebida em redes institucionais envolvendo escolas, secretarias de educação e cultura, organizações não-governamentais, universidades, instituições culturais, bibliotecas, associações representativas dos profissionais da arte e da educação. Um sonho assim vale a pena e certamente nos ensinará sobre a diversidade nos espaços escolares.

3. Levando-se em consideração sua visão sobre a importância da arte da vida das pessoas, qual o prejuízo em um ensino de arte feito por pessoas consideradas não capacitadas adequadamente para isso?

O tempo didático costuma ser curto nas escolas brasileiras, se neste tempo não se oferece oportunidade de aprendizagem aos alunos, por falta de profissionais preparados, priva-se o aluno de participação sócio-cultural informada e de ações criativas, nas quais, sua subjetividade dialoga com as produções de pares e artistas em diferentes linguagens artísticas. Além disto, a precariedade das escolhas teóricas nas escolas e as orientações didáticas equivocadas podem imprimir uma visão deformada de arte, afeita a práticas sociais sem qualidade artística e estética.

4. O que deve ser entendido como “arte” na expressão “arte-educação” e por que há uma crítica negativa, dos profissionais da área, em relação à denominação “Educação Artística” para o ensino de arte nas escolas?

A terminologia arte-educação refletiu um avanço conceitual na área de Arte porque incluiu as culturas como conteúdo das aulas e a produção artística como forma contextualizada, deste modo abriu-se espaço para que a diversidade da produção artística de qualidade pudesse ser aprendida nas escolas, aproximando o que se aprende do trabalho dos artistas, críticos, historiadores de arte, agentes culturais.

Na seqüência passou-se a usar Ensino da Arte, sem medo de caracterizar ensino nos moldes da escola tradicional, mas compreendendo a necessidade de um ensino regulado pela aprendizagem, por outras palavras, pelo diálogo entre ensino e aprendizagem, porque na didática contemporânea, com foco na aprendizagem, observam-se as transformações dos níveis de saber e dos modos de aprender de sujeitos singulares (subjetividades diferenciadas), além de reconhecer as mudanças estruturais dos níveis de conhecimento em cada área de conhecimento ou linguagem específica em sua gênese.

5. Qual a importância da arte para a formação das pessoas?

Arte humaniza a formação porque garante às pessoas espaço para interações cuja principal finalidade é o valor simbólico da interlocução intersubjetiva. É possível, por intermédio da arte, colocar-se no mundo de modo autoral, não submisso, percorrendo tempos e espaços variados, gerando modos de conhecer e compreender a vida e a criação, articulando cognição, valores, ação criativa com construção de significados e ainda, percepção e atribuição de qualidades com sensibilidade.

6. Quem pode ser considerado um arte-educador?

Compreendo o arte–educador como um profissional que tem como finalidade ensinar arte com diversos objetivos. Se atua em educação escolar seus objetivos serão diferentes dos arte-educadores que trabalham em projetos sociais, instituições de saúde, presídios, centros de reabilitação. Todos educam e promovem aprendizagens, mas os propósitos sociais e educacionais se diferenciam em cada caso gerando organizações didáticas distintas.

7. Qual a formação que um arte-educador deve ter?

A formação deve perpassar no mínimo: saber sobre arte e saber sobre aprendizagem em arte. Se os modos de aprendizagem implicam em desenvolvimento de percurso de criação em arte do aluno, é necessário que o educador tenha experiência em processo de criação pessoal. Aprender para saber dar aula é um conteúdo procedimental pouco considerado na formação inicial. Responder sobre formação em algumas linhas é impossível. Mas sem dúvida os âmbitos cultural, educacional e gerencial previstos por Antonio Nóvoa tem encaixe perfeito na formação do arte-educador.

8. Como se dá esta formação?

Não se tem uma unidade nas propostas formativas. Somente uma análise de currículos e programas dos centros formativos do país, atualizada e não tendenciosa, poderia elucidar esta pergunta.

9. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) proíbe o ensino de arte nas escolas por pessoas que não tenham formação específica nesta área?

A LDB prevê que o ensino da arte seja ministrado por profissionais com formação específica, entretanto, na prática ainda não se tem número suficiente de professores com habilitação. Existe abertura na resolução de atribuição de aulas para preencher as vagas com professores de outras áreas para que o aluno não fique sem aulas de arte. Tal fato não colabora para o ensino da arte.

10. Como avalia a formação dos arte-educadores no Brasil? Considera que, na maioria, estejam bem preparados para lecionar arte?

Creio que falta aperfeiçoamento da formação inicial e continuada, apesar de muitos esforços já realizados, a maioria dos profissionais que atuam nas escolas requer mais preparo e atualização nos conteúdos ligados à própria arte, na concepção de currículo e nas modalidades da didática contemporânea com foco na aprendizagem.

11. Em que aspectos seu livro “Ensino de Arte” (THOMSON PIONEIRA) contribui para a formação do arte-educador?

Trata-se de um livro que compõe a Coleção Idéias em Ação projetada pela professora Anna Maria Pessoa de Carvalho da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, voltada para as diversas áreas de conhecimento. A coleção é orientada principalmente para o Ensino Fundamental, no livro parte-se dos fundamentos e ações desenvolvidas na formação continuada realizada pelos professores da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, por intermédio de sua Fundação de Apoio, junto a secretarias estaduais e municipais de educação. A socialização desta experiência visou trazer para professores que atuam em sala de aula e professores em formação bases teóricas, propostas práticas e indicações de fontes de informação.

Neste livro, que escrevi com Luciana Mourão Arslan, orientado às artes visuais, o arte-educador poderá refletir sobre o ensino de arte na contemporaneidade, percorrendo aspectos como a leitura de imagens, as visitas a instituições de arte, orientações para o fazer artístico e subsídios para avaliar em arte, tarefa complexa que requer conhecimento e sensibilidade. Por fim, o livro reúne relatos de práticas seguidos de reflexão que almejam colaborar na formação do professor.

“ARTE TAMBÉM DEVE INCLUIR DEFICIENTES”

"Uma pergunta invariável quando se vê o surpreendente trabalho de Egven Bavcar é, sem dúvida, como consegue fazê-lo. Cego após dois acidentes durante sua infância na Eslovênia (ex Iugoslávia), é um dos mais celebrados fotógrafos na Europa, além de ser uma figura que impressiona pela erudição e simplicidade. Com doutorado em história e filosofia, trabalhando também com cinema, ainda possui fluência em esloveno, servo-croata, alemão, inglês e francês.

Com obras em exposição no Centro Cultural Banco de Brasil, no Rio de Janeiro, Bavcar acha interessante quando o público estranha o fato do trabalho ser feito por um deficiente visual. “O visível e o visual são bem diferentes, não há razão para os cegos não produzam imagens, fotográficas ou não”, acredita.

Segundo o autor, os institutos para cegos podem e devem promover a prática da fotografia, motivados pelas possibilidades educativas, artísticas e terapêuticas. Mais do que isso, por uma questão estratégica: “a criação de imagens torna os cegos mais “visíveis” para os videntes. Minhas fotos traduzem as imagens que cria em minha mente, um olhar interior, meu terceiro olho.”

Todo o seu trabalho tem como base perverter o método de percepção estabelecido entre as pessoas que vêem e as que não. Luz e trevas, o visível e o invisível são os eixos de obras que demonstram um desejo interior de fazer imagens. “Minhas fotos são um desejo interior de repetir o impossível. De um longo adeus à luz.”

Assim, como a imaginação e a memória são suficientes para compor uma imagem, não há motivos para segregar pessoas deficientes de mais um espaço. “E isso não ocorre apenas na fotografia, mas nas artes em geral. Não podemos ver mais casos de artistas deficientes como exceções. A arte deve incluir a todos”, critica.

As escolas de fotografia, de cinema, de artes plásticas e desenho, nesse sentido, não apenas deveriam acolher candidatos cegos, mas pedir sua colaboração para tornar o campo visual “mas inteligível para aqueles que vêem”. É um antídoto natural para a cegueira criada pelo mundo visual.

“Em lugar de viver por nosso corpo, somos obrigados a existir por meio da percepção ocular, como se a própria realidade não bastasse mais. É um lógica estruturalmente idiota em um mundo oculocêntrico. A vida como tal torna-se um espetáculo, e o espetáculo já é a vida no círculo vicioso das realidades virtuais”, explica.

Passos importantes já começam a ser dados, principalmente na França, país onde vive atualmente. “Alguns cinemas começam a adaptar os filmes para deficientes visuais. Com fones, eles podem acompanhar a descrição da cenas”."

A ARTE NA ESCOLA

Um texto muito interessante de Nereide Schilaro Santa Rosa, arte-educadora e escritora. Conheça o site pessoal da Autora: http://www.geocities.com/nereisch/



"Os trabalhos de expressão plástica da criança não são simples marcas sobre um suporte qualquer, mas resultados de sua elaboração mental -- que é construída a partir da leitura que ela faz de si mesmo e do mundo. A criança utiliza uma linguagem simbólica para expressar a realidade própria. Essa realidade é construída a partir da seleção de suas experiências em relação ao meio circundante e a si mesma, as quais discrimina e reestrutura de forma original.

Para tanto, é extremamente interessante que se oportunize o contato e a percepção visual da criança com a arte, para que ela construa uma leitura de mundo consistente, além de auxiliar na construção dos símbolos e da representação. O olhar e o saber artístico contribuem significativamente para as elaborações perceptivas e reflexivas na criança.

O ato de ensinar e aprender arte está fundamentado em três eixos norteadores: o fazer artístico, o conhecimento histórico e a apreciação estética. Muitas vezes, o produzir, o apreciar e o refletir sobre arte vêm tão juntos que seria impossível separá-los.

A arte na escola deve ser interativa, participativa e interdisciplinar. Trabalhar com Portinari, Tarsila, Volpi, Guignard, Almeida Júnior por exemplo, significa conhecer nossa própria história e nossos problemas sociais. Descobrir os sons de Carlos Gomes e Villa-Lobos, é conhecer as raízes da música erudita no Brasil. Entender a arte de escrever de Monteiro Lobato e Machado de Assis é possibilitar ao aluno descobrir a beleza e o poder das letras. Relacionar arte e as raízes culturais faz com que os alunos percebam a expressão artística como expressão de sua realidade. E conhecer a história da arte brasileira nos leva a resgatar momentos históricos significativos, compreender atitudes e ações, entender o contexto atual em que vivemos.

O aluno, ao trabalhar com arte, aperfeiçoa e desenvolve a sua expressão artística, a sua forma de olhar e entender o mundo. Para que isso ocorra ele cria, produz, constrói e reconstroi desenhos, pinturas, esculturas, danças e interpretações, escultura, teatro, dança, música... e faz sua própria história. Ao apreciar e tomar conhecimento das diferentes expressões de nossos artistas plásticos em seus diversos contextos históricos, o aluno adquire parâmetros suficientes para estabelecer relações construtivas que lhe auxiliarão em seu aprendizado.

A arte-educação diz respeito também ao conhecimento de teorias, técnicas, materiais, recursos, instrumentos. É extremamente interessante que a arte-educação permita ao aluno, o exercício da criatividade, da leitura e da compreensão de significados.

Quando pensamos em educação e arte, devemos considerar a necessidade da convivência com as obras de arte de forma ampla. Essa convivência com os tipos de arte, os estilos, as épocas e os artistas é extremamente saudável e necessária. Por meio desse contato, desenvolvemos nossa sensibilidade "sem querer impor o nosso gosto e nossos padrões subjetivos marcados historicamente pela época e pelo lugar em que vivemos bem como pela classe social a que pertencemos". Apreciar e sentir, e depois analisar e contextualizar nos fornece o conhecimento da linguagem de cada arte, a cultura que gerou a obra, seus estilos.

A função social da arte fica clara à medida que ela transforma e nos traz o conhecimento do mundo -- não um conhecimento abstrato, mas afetivo e real. O artista percebe o mundo e cria formas sensíveis para interpretá-lo.

Ao se aproximar da cultura popular, o artista serve de mediador entre o objeto bruto e a representação, entre o que observamos e sentimos com nossos sentidos e o pensamento. As imagens nos fazem pensar e tornar o mundo repleto de significados, alargando a sua abrangência. O artista atribui significados ao mundo real por meio de sua obra que é lida e compreendida pelos espectadores. Evidentemente que esses significados dependem de fatores e valores de determinada época. Os artistas podem buscar temas idênticos; no entanto, o tratamento dado é transformado e representado de acordo com sua leitura e linguagem. A cor, o volume, o espaço, o peso, a luz permitem essa abrangência e dão condições ao artista elaborar sua produção. De qualquer forma, o "artista cria o que poderia ser". O meio, o material, as técnicas e estilos compõe a linguagem da obra, o projeto do artista. Suas obras de arte tornam-se símbolos que atribuem significados a fatos, imagens e formas.

Cabe a nós, educadores, sermos agentes de transformação do apreciar e do olhar artístico, possibilitando aos jovens e crianças, conhecer nossa cultura e história, o Brasil e seu povo, nossos sonhos e nossa realidade, representados e expressos em cores, formas e linhas, imagens figurativas e abstratas, luzes e sombras, relevos e perspectivas. Este é o nosso maior desafio."

Nereide Schilaro Santa Rosa
é pedagoga, arte-educadora, escritora de livros infanto-juvenis
direcionados à cultura e as artes no Brasil, entre eles, as coleções
Crianças Famosas (Callis), Arte e Raizes (Moderna), História da Arte Brasileira para crianças (Edições Pinakotheke), Arte de Olhar (Scipione).

ARTE NA ESCOLA: FORMANDO CRÍTICOS

Mais um texto para ler e refletir...



"A apreensão das imagens que nos cercam e invadem o nosso cotidiano é assunto relevante para todas as áreas do conhecimento. Os outdoors, faixas, placas e outras formas de propaganda nas ruas, adesivos em carros, stickers, figurinhas, revistas, jornais e folhetos a que as crianças têm acesso, além das janelas e ícones do computador e todo o universo imagético que a internet oferece, são alguns exemplos de imagens, estáticas ou não, que exercem alguma ou muita influência na construção do nosso senso estético.
Essas imagens carregam uma quantidade de informações bem maior do que aquela percebida por um olhar desatento. Não que a criança ou qualquer pai ou educador fique diante de algum cartaz analisando suas formas, cores ou mensagem, mas o exercício da análise e leitura das imagens permite uma postura mais crítica diante delas.
É justamente nas aulas de Artes que este exercício de análise e leitura de imagens se dá, é um dos pontos principais do ensino da arte hoje. Utilizando em aula um material rico em reproduções de obras de arte e proporcionando periódicas visitas a exposições, o referencial estético amplia-se e a criança acostuma-se a olhar e ver além daquilo que está explícito, atribui significados, interpreta, critica e questiona.

...Já que falamos em leitura da obra de arte, leitura da imagem, podemos falar também de uma alfabetização visual, isto é, habilitar os alunos para a compreensão de uma sintaxe visual. A percepção de sutilezas ou nuances na observação atenta da arte permite ao indivíduo também a percepção de diferenças sutis ou a descoberta de possibilidades que não tenham sido apresentadas em qualquer campo de atuação humana. Não é uma tarefa simples, uma vez que este aspecto do ensino da arte é feito em conjunto com a prática e a apreciação. A produção ou o fazer artístico costumam exercer um fascínio sobre todos nós, a manipulação dos materiais artísticos e o aspecto lúdico do contato com esses materiais sempre encantam e envolvem...
...O ensino da arte na escola já tem o seu campo definido, é uma área do conhecimento que contribui inegavelmente para a formação geral do indivíduo. Usar as aulas de Artes para a produção de objetos, utensílios e desenhos destinados a comemorações de datas ou esperar que um arte-educador seja o decorador da escola é um equívoco que está cada vez mais sendo banido das práticas escolares."

Trechos do artigo de Paula Ariane coordenadora de Artes do Ensino Fundamental (5ª a 8ª série) do Sistema Objetivo de Ensino.

LEITURA RECOMENDADA

BUORO, Anamélia Bueno. Olhos que pintam, a leitura da imagem e o ensino da arte. São Paulo: Educ/Fapesp/Coetez, 2002



Aborda os processo de construção de significado na leitura de obras de arte. Faz uma abordagem sociosemiótica das imagens, procurando elucidar conceitos e desvelar caminhos que revelam a visibilidade e a materialidade da obras de arte.

A FUNÇÃO DA ARTE-EDUCAÇÃO

Nas minhas pesquisas sobre a função da arte-educação, encontrei este texto de Jurema Sapaio. Mais um para refletir...



... a “livre expressão” é uma abordagem que era bem comum até a década de 80, com o tempo foi melhorando, mas é comum ainda ouvir dizer que a pessoa é arte-educador porque trabalha com arte. Seja porque desenvolve projetos de inclusão social pela arte (Estes projetos sozinhos já dão pano pra manga para serem discutidos, mas deixemos para outro tópico.); ou porque promove eventos de arte, ou, ainda, porque dá aulas de trabalhos manuais ou artesanato. Assim colocado parece que a função de um arte-educador está qualquer coisa entre produtor cultural e terapeuta, o que está errado. Produtor cultural é uma coisa, terapeuta é outra e arte-educador é ainda outra.

Não é porque você trabalha com arte que é arte-educador! Não é porque você dá aulas de artesanato, ou trabalhos manuais, que seja arte-educador. Não é porque você tem um trabalho social, mesmo que muitíssimo bem-feito, onde sejam desenvolvidos programas de geração de renda que isso é arte-educação.

Quem trabalha com arte pode, inclusive, ser arte-educador, mas isso não é automático. Quem dá aulas de trabalhos manuais e/ou artesanato, idem. A arte-educação tem propostas que vão além do ensino de uma técnica, seja artesanal ou artística. E não é somente “expressão do eu” ou da “individualidade” tampouco.

Arte é área de conhecimento e, como tal, tem conteúdos específicos que são trabalhados (ensinados e aprendidos) pelo arte-educador junto com seus alunos.

Outro conceito equivocadamente compreendido sobre a função da arte - educação é o conceito de interdisciplinaridade. Usar arte, na educação, como ferramenta de ensino de outras disciplinas não é arte-educação. Ilustrar textos em aulas de português; fazer teatrinho nas aulas de história ou usar origami nas aulas de matemática não é arte-educação. Nestes casos está se usando a arte como ferramenta, não de forma interdisciplinar.

Vamos começar do fim para entender: Para que serve aprender arte?

Não raras vezes, infelizmente, ouvimos dizer que aprender arte nos torna mais sensíveis, pessoas melhores, e outras colocações romântico-patéticas como estas.

O ensino de arte tem várias funções, dentre elas o fazer artístico, a história da arte e a apreciação ou fruição artística a arte-educação promove todos estes aspectos em conjunto, visando uma formação mais consistente e ampla do indivíduo, não para ele ser bonzinho. Quando nos limitamos a entender a arte e seu ensino a isso, limitamos também o papel da arte na vida dos indivíduos.

Ana Mae Barbosa, uma das maiores pesquisadoras brasileiras sobre o tema arte-educação, em seu livro Inquietações e Mudanças no Ensino da Arte, deixa bem claro o potencial da arte como área de conhecimento ao dizer que “Por meio da Arte é possível desenvolver a percepção e a imaginação, apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo ao indivíduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada”. (BARBOSA, 2003, p.18)

Todo regime de governo com base no uso da força (ditaduras, de qualquer ideologia) têm um traço comum: Insistem ampla e claramente na censura.

E a censura é feita onde, principalmente? Nas formas de manifestação artística.

E por que fazem isso?

Por que quando um indivíduo é levado a experimentar e refletir sobre si e o mundo, que é o que a arte proporciona, é encaminhado nos passos do desenvolvimento do ser humano. E seres humanos desenvolvidos não “baixam a cabeça” como “bois” e seguem ordens.

Só esta informação já nos dá uma pequena visão da Função da Arte. Passam a ser seres que pensam! E, como diria o poeta “quem pensa por si mesmo, é livre e, ser livre, é coisa muito séria!” (Renato Russo).



Texto de Jurema Sapaio,Mestre em Artes Visuais, especialista em Ensino e Produção de Arte, licenciada em Arte-Educação, Desenho e Artes Plásticas (PUC-Campinas). Atualmente cursa Doutorado. Professora Universitária.

ARTE NO ENSINO FUNDAMENTAL - ANOS FINAIS - BNCC

ARTE NO ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS:
UNIDADES TEMÁTICAS, OBJETOS DE CONHECIMENTO E
HABILIDADES

No Ensino Fundamental – Anos Finais, é preciso assegurar aos alunos a ampliação de suas interações com manifestações artísticas e culturais nacionais e internacionais, de diferentes épocas e contextos.
Essas práticas podem ocupar os mais diversos espaços da escola, espraiando-se para o seu entorno e favorecendo as relações com a comunidade.
Além disso, o diferencial dessa fase está na maior sistematização dos conhecimentos e na proposição de experiências mais diversificadas em relação a cada linguagem, considerando as culturas juvenis.
Desse modo, espera-se que o componente Arte contribua com o aprofundamento das aprendizagens nas diferentes linguagens – e no diálogo entre elas e com as outras áreas do conhecimento –, com vistas a possibilitar aos estudantes maior autonomia nas experiências e vivências artísticas.

ARTE – 6º AO 9º ANO
Artes visuais Contextos e práticas Elementos da linguagem Materialidades Processos de criação Sistemas da linguagem
Dança Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação

HABILIDADES
• (EF69AR01) Pesquisar, apreciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes contextos e práticas artístico-visuais e cultivar a percepção, o imaginário, a capacidade de simbolizar e o repertório imagético.
• (EF69AR02) Pesquisar e analisar diferentes estilos visuais, contextualizando-os no tempo e no espaço.
• (EF69AR03) Analisar situações nas quais as linguagens das artes visuais se integram às linguagens audiovisuais (cinema, animações, vídeos etc.), gráficas (capas de livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográficas, coreográficas, musicais etc.
• (EF69AR04) Analisar os elementos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, direção, cor, tom, escala, dimensão, espaço, movimento etc.) na apreciação de diferentes produções artísticas.
• (EF69AR05) Experimentar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo, fotografia, performance etc.).
• (EF69AR06) Desenvolver processos de criação em artes visuais, com base em temas ou interesses artísticos, de modo individual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, instrumentos e recursos convencionais, alternativos e digitais.
• (EF69AR07) Dialogar com princípios conceituais, proposições temáticas, repertórios imagéticos e processos de criação nas suas produções visuais.
• (EF69AR08) Diferenciar as categorias de artista, artesão, produtor cultural, curador, designer, entre outras, estabelecendo relações entre os profissionais do sistema das artes visuais.
• (EF69AR09) Pesquisar e analisar diferentes formas de expressão, representação e encenação da dança, reconhecendo e apreciando composições de dança de artistas e grupos brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas.
• (EF69AR10) Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado, abordando, criticamente, o desenvolvimento das formas da dança em sua história
tradicional e contemporânea.
• (EF69AR11) Experimentar e analisar os fatores de movimento (tempo, peso, fluência e espaço) como elementos que, combinados, geram as ações corporais e o movimento dançado.
• (EF69AR12) Investigar e experimentar procedimentos de improvisação e criação do movimento como fonte para a construção de vocabulários e repertórios próprios.
• (EF69AR13) Investigar brincadeiras, jogos, danças coletivas e outras práticas de dança de diferentes matrizes estéticas e culturais como referência para a criação e composição de danças autorais, individualmente e em grupo.
• (EF69AR14) Analisar e experimentar diferentes elementos (figurino, iluminação, cenário, trilha sonora etc.) e espaços (convencionais e não convencionais) para composição cênica e apresentação coreográfica.
• (EF69AR15) Refletir sobre as experiências corporais pessoais e coletivas desenvolvidas em aula ou vivenciadas em outros contextos, de modo a problematizar questões de gênero, corpo e sexualidade.

Música Contextos e práticas Elementos da linguagem Materialidades Notação e registro musical Processos de criação
Teatro Contextos e práticas Elementos da linguagem Processos de criação


HABILIDADES
• (EF69AR16) Analisar usos e funções da música em seus contextos de produção e circulação, relacionando as práticas musicais às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética.
• (EF69AR17) Explorar e analisar, criticamente, diferentes meios e equipamentos culturais de circulação da música e do conhecimento musical.
• (EF69AR18) Reconhecer e apreciar o papel de músicos e grupos de música brasileiros e estrangeiros que contribuíram para o desenvolvimento de formas e gêneros musicais.
• (EF69AR19) Identificar e analisar diferentes estilos musicais, contextualizando-os no tempo e no espaço, de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética musical.
• (EF69AR20) Explorar e analisar elementos constitutivos da música e das propriedades sonoras (altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.), por meio de jogos, canções e práticas diversas de composição/criação, execução e apreciação musicais.
• (EF69AR21) Explorar e analisar fontes e materiais sonoros em práticas de composição/criação, execução e apreciação musical, reconhecendo timbres e características de instrumentos musicais diversos.
• (EF69AR22) Explorar e identificar diferentes formas de registro musical não convencional (como partituras criativas e procedimentos da música contemporânea), bem como procedimentos e técnicas de registro em áudio e audiovisual, e reconhecer princípios da notação musical convencional.
• (EF69AR23) Explorar e criar improvisações, composições, arranjos, jingles, trilhas sonoras, entre outros, utilizando vozes, sons corporais e/ou instrumentos acústicos ou eletrônicos, convencionais ou não convencionais, expressando ideias musicais de maneira individual, coletiva e colaborativa.
• (EF69AR24) Reconhecer e apreciar artistas e grupos de teatro brasileiros e estrangeiros de diferentes épocas, investigando os modos de criação, produção, divulgação, circulação e organização da atuação profissional em teatro.
• (EF69AR25) Identificar e analisar diferentes estilos cênicos, contextualizando-os no tempo e no espaço de modo a aprimorar a capacidade de apreciação da estética teatral.
• (EF69AR26) Explorar diferentes elementos envolvidos na composição dos acontecimentos cênicos (figurinos, adereços, cenário, iluminação e sonoplastia) e reconhecer seus vocabulários.
• (EF69AR27) Pesquisar e criar formas de dramaturgias e espaços cênicos para o acontecimento teatral, em diálogo com o teatro contemporâneo.
• (EF69AR28) Investigar e experimentar diferentes funções teatrais e discutir os limites e desafios do trabalho artístico coletivo e colaborativo.
• (EF69AR29) Experimentar a gestualidade e as construções corporais e vocais de maneira imaginativa na improvisação teatral e no jogo cênico.
• (EF69AR30) Compor improvisações e acontecimentos cênicos com base em textos dramáticos ou outros estímulos (música, imagens, objetos etc.), caracterizando personagens (com figurinos e adereços), cenário, iluminação e sonoplastia e considerando a relação com o espectador.
UNIDADES TEMÁTICAS OBJETOS DE CONHECIMENTO
Artes integradas
Contextos e práticas Processos de criação Matrizes estéticas e culturais Patrimônio cultural Arte e tecnologia


HABILIDADES
• (EF69AR31) Relacionar as práticas artísticas às diferentes dimensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética.
• (EF69AR32) Analisar e explorar, em projetos temáticos, as relações processuais entre diversas linguagens artísticas.
• (EF69AR33) Analisar aspectos históricos, sociais e políticos da produção artística, problematizando as narrativas eurocêntricas e as diversas categorizações da arte (arte, artesanato, folclore, design etc.).
• (EF69AR34) Analisar e valorizar o patrimônio cultural, material e imaterial, de culturas diversas, em especial a brasileira, incluindo suas matrizes indígenas, africanas e europeias, de diferentes épocas, e favorecendo a construção de vocabulário e repertório relativos às diferentes linguagens artísticas.
• (EF69AR35) Identificar e manipular diferentes tecnologias e recursos digitais para acessar, apreciar, produzir, registrar e compartilhar práticas e repertórios artísticos, de modo reflexivo, ético e responsável.