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O meu professor ideal

Loek van Veldhüyzen e K. Vreugdenhil
APS - Centro nacional pelo Aperfeiçoamento das Escolas (Utrecht – Holanda)

Os professores ensinam todos os dias. Preparam aulas. Explicam o que tem de ser aprendido. Supervisionam os exercícios dos alunos. Checam os resultados. Aprendem a conviver com sua classe. Modelam e influenciam comportamentos, ensinando às crianças e aos jovens a consciência de seus deveres, formas de convívio social, valores e normas.
Isso não acontece no vácuo. A educação se faz na escola, onde muitas outras coisas acontecem. Há reuniões de professores. Há o Plano Diretor para se levar em conta. Há o contato com pais.
Para executar a contento todas essa atividades, os professores devem possuir características muito especiais. Num perfil profissional, essas características são definidas numa certa ordem, permitindo que se construa uma imagem coerente da profissão.

Mas o ensino não pára de mudar e, com ele, muda a imagem do professor. Um perfil profissional é sempre o produto de um lugar e de um tempo determinados. Deveria ser revisto a cada cinco anos, aproximadamente.
Um perfil profissional também volta-se, em certa medida, para o futuro. Inclui características que, embora ainda não sejam universais, serão exigidas daqui a alguns anos. Resumindo, o perfil profissional de um professor:

• consiste em grupos de características, descritos numa certa ordem;
• está ligado a um lugar e a uma época;
• olha para o amanhã, mencionando características que podem ser exigidas num futuro próximo.

Este texto apresenta um perfil profissional de professor desenvolvido na Holanda. Seu formato original é bem mais complexo e foi elaborado a partir de pesquisa conduzida pela equipe do APS – Centro Nacional pelo Aperfeiçoamento das Escolas. Centenas de professores e de representantes de conselhos, sindicatos, autoridades locais e nacionais estiveram envolvidos na criação deste modelo. O perfil resultante, cujas linhas gerais vamos mostrar, não pode ser tomado como padrão para professores brasileiros, americanos, alemães ou japoneses, já que emerge da realidade holandesa. Ele pode, no entanto, inspirar qualquer escola, no Brasil ou em outro lugar do mundo, a construir o seu próprio perfil do professor.
Professores e diretores podem fazer isso, descrevendo o que consideram ser as características de um bom professor par a sua escola. Em um formato mais simples, essas características podem ser agrupadas em quatro dimensões: educativa, didática, organizacional e relativa a valores. Se a equipe escolar estiver de acordo quanto ao perfil que considera desejável par os seus docentes, esse tornar-se-á um poderoso instrumento a serviço do aperfeiçoamento profissional dos professores. Afinal, todos saberão que características são valorizadas e precisam ser desenvolvidas com o esforço individual e a formação continuada em serviço.

O perfil de docente ideal holandês que iremos mostrar em seguida apresenta características relativas às seguintes dimensões:

• professor enquanto profissional;
• professor enquanto educador;
• professor enquanto especialista em didática;
• professor enquanto membro de uma equipe.


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1. PROFESSOR ENQUANTO PROFISSIONAL

1.1 ESTÁ EM CONTÍNUO APERFEIÇOAMENTO

O comportamento dos seres humanos na sociedade é altamente influenciado pelas suas biografias e pela subcultura em que vivem. Todas as pessoas são diferentes; isso é inegável. Por isso, a comunicação entre professor e alunos, entre professor e seus pares e comunidade não envolve apenas técnicas; tem de ocorrer a partir de uma atitude determinada por valores que enfoquem, por exemplo, cooperação, respeito e tolerância, oferecendo oportunidades uns aos outros. Ao comunicar-se, é necessário que os professores estejam conscientes dos valores em jogo e saibam lidar com as diferenças.

É necessário que o professor esteja por dentro do que se passa na sociedade e se mantenha atualizado em relação aos avanços nos campos da sociedade e da cultura, da ciência e da técnica, da saúde e do meio ambiente, da política e da filosofia de vida. Deve saber definir a sua posição quanto a cada um desses avanços, consciente de que é um modelo importante para os seus alunos.

Espera-se do professor que:

• mantenha em um bom nível os seus conhecimentos sobre os avanços aqui mencionados, através de diferentes meios, inclusive por sua participação na vida social;
• aguce a compreensão sobre a tensão e a conexão entre características valiosas e relativamente estáveis da sociedade e novas modas e tendências;
• reflita sobre suas próprias experiências como participante na vida social, dentro e fora das fronteiras de seu país, transformando-as em dados que sejam úteis ao exercício de sua profissão;
• traduza suas afinidades ou o seu envolvimento com fenômenos sociais específicos em desenvolvimento contínuo das suas próprias preferências e do seu interesse pela profissão.


1.2 DESENVOLVE HABILIDADES COGNITIVAS VOLTADAS À RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS


O professor deve saber lidar com problemas, reconhecendo-os, analisando-os e resolvendo-os. Ele está habituado a agir com independência, a liderar e a assumir responsabilidades, e aceita que os outros façam o mesmo. O professor deve ser capaz de assegurar que as aptidões cognitivas já dominadas durante a sua formação possam aperfeiçoar-se constantemente. Para isso, transitará entre experiências adquiridas dentro e fora de sua prática profissional e levará em contas os subsídios e sugestões que lhes são oferecidos.

Espera-se do professor que:

• continue a desenvolver suas aptidões iniciais relacionadas a reflexão, resolução de problemas, processamento de informação, pensamento e ação estratégicos, planejamento, gestão do tempo e avaliação, com o uso consciente e sistemático dessas aptidões no seu trabalho e, eventualmente, fora dele;
• considere as opiniões de outras pessoas sobre fenômenos e acontecimentos socioculturais e apliquem os resultados desta reflexão no seu trabalho.


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1.3 FORMA UM CONCEITO SOBRE SEU TRABALHO


Um professor profissional possui um conceito sobre seu trabalho. Isso significa que está consciente dos valores e das normas que considera importantes na sua atividade cotidiana. Também está consciente dos preconceitos que possa ter desenvolvido.

Ele pode associar os conhecimentos adquiridos durante a sua formação a novas informações adquiridas, por exemplo, nas capacitações em serviço. É capaz de fazer a autocrítica de opiniões, idéias e convicções sobre o trabalho cotidiano e também de sujeitá-las à crítica do outro, por meio do diálogo. Conhece seus pontos fortes na profissão que exerce. Sabe como desenvolver suas qualidades, sem cair no simplismo. É capaz de analisar suas próprias ações e de modificar, se necessário, padrões e rotinas.

O conceito que esse professor profissional forma sobre seu trabalho é coerente e dirige suas ações. Pode ser ajustado e complementado, se as circunstâncias assim exigirem. Isso demanda atitude aberta em relação a novos conhecimentos e mudanças, que podem originar novas perguntas e objetivos de aprendizagem.

Esse conceito contém uma imagem de sua atividade profissional capaz de lhe provocar entusiasmo – é como se fosse o tempero do seu trabalho. Tal imagem leva em conta necessidades humanas gerais como obter reconhecimento, experimentar sucesso, estabelecer relações positivas, poder ser aquilo que realmente somos, ter controle sobre o que fazemos e sobre o que acontece e ser levado em conta.


Espera-se do professor que:

• reflita regularmente sobre o conteúdo do conceito que faz sobre seu trabalho, para fixar suas experiências e traduzi-las em escolhas e prioridades em relação à sua atividade profissional;
• compreenda, por meio da auto-avaliação, o que está indo bem e o que está falhando;
• formule, a partir de reflexão e da auto-avaliação, suas próprias perguntas e objetivos de aprendizagem e se aperfeiçoe com base nisso;
• saiba quais as idéias, os princípios e os comportamentos que deseja absolutamente manter e por quê;
• lide conscientemente com o conceito que faz sobre seu trabalho, em caso de mudanças e reformas;
• ajuste e complemente seu conceito de trabalho com novos conhecimentos e idéias.


1.4 TEM CONSCIÊNCIA DE SEUS VALORES E NORMAS


O professor deve saber lidar conscientemente com as normas e os valores que inspiram suas ações, dentro e fora da escola. Ele se esforça por detectar e eliminar preconceitos; procura emitir julgamentos equilibrados e bem fundamentados; conhece as filosofias e visões de mundo que influenciam as pessoas com as quais convive; sabe construir pontes entre suas posições morais e essas visões de mundo.

O professor deve ser capaz de justificar as suas escolhas, se possível empreendendo uma reflexão crítica sobre a filosofia ou a visão de mundo que as sustentam.


Espera-se do professor que:

• esteja consciente dos valores e das normas que desempenham um papel em sua vida e profissão e das mudanças que eles sofrem;
• identifique os preconceitos em si próprio e nos outros;
• promova conscientemente, a partir de valores, compreensão e conhecimento, a emancipação das pessoas marginalizadas e desfavorecidas na sociedade em que atua;
• compreenda que a informação (conhecimento, conteúdos curriculares) está sempre relacionada a valores e os aplique às suas ações profissionais;
• justifique as normas e valores que faz valer no seu trabalho e seja consistente, agindo sempre em conformidade com eles.


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1.5 FUNDAMENTA-SE EM UMA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO


O professor baseia o seu trabalho no conceito que forma sobre ele. Se, numa equipe, existe consenso sobre uma determinada visão de educação e de ensino e sobre a forma de colocá-la em prática, estamos falando de uma concepção de educação. Escolhida essa concepão, os membros da equipe devem adequar suas ações a ela. Constituirá também a base do conceito de trabalho de cada professor.

As concepções de educação têm de ser ajustadas em função dos avanços que ocorrem fora da escola e das experiências de trabalho da própria escola.

Espera-se do professor que:

• conheça a história e o conteúdo atual da concepção de educação escolhida;
• tente, coletiva e individualmente, realizar seu trabalho cotidiano baseando-se em pensamentos, valores e normas, métodos de trabalho e recursos didáticos inspirados na concepção de educação da equipe;
• esclareça às pessoas de fora (pais de alunos e professores de outras instituições) que tipo de concepção de educação defende e que resultados obtém com seus alunos;
• aceite aprender e se capacitar com seus colegas e com outros profissionais, para garantir uma concretização adequada da concepção de educação;
• se esforce sempre para estabelecer relações entre a concepção de educação e a realidade de ensino, criando assim um ambiente pedagógico favorável para os alunos.


1.6 COMUNICA-SE EFICAZMENTE

As atividades do professor implicam uma comunicação eficaz com diferentes pessoas e grupos.


Espera-se do professor que:

• saiba fazer com que os processos de comunicação ocorram com sucesso e o que os impede de funcionar;
• se comunique de formas diversificadas, adequando suas mensagens de acordo com o grupo-alvo, com sua subcultura e com o contexto em que se realiza o contato.


2. PROFESSOR ENQUANTO EDUCADOR

2.1 PERCEBE A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO FAMILIAR E ENSINO

O professor está consciente de que faz parte de uma tradição de trabalho em que a educação, no contexto da família, e o ensino estão interrelacionados em diferentes aspectos. Compreende a natureza dessas relações e o contexto sociocultural que lhes deu origem. Esse contexto abrange também uma filosofia ou uma visão de mundo. Baseando-se nisso, é capaz de identificar a sua própria posição e de traduzi-la no seu trabalho cotidiano.


Espera-se do professor que:

• conheça os mais importantes movimentos na história da educação e na atualidade do ensino, bem como o modo pelo qual a educação e o ensino estão ligados entre si no contexto dessas correntes;
• compreenda como o seu trabalho cotidiano está ligado aos acontecimentos na sociedade, no que diz respeito a perspectivas culturais e filosóficas;
• possua um conceito de trabalho indicando como concretizar de modo coerente a educação e o ensino em suas ações cotidianas.


2.2 ASSUME RESPONSABILIDADE PEDAGÓGICA PELO QUE FAZ

Cada vez mais, o professor é chamado a justificar e a prestar contas sobre sua tarefa pedagógica. Exige-se que a educação aprofunde sua relação com temas atuais e com problemas. Isso envolve problemas e dilemas no domínio dos valores e normas. O professor deve manifestar seu ponto de vista sobre esses temas, com base numa visão de mundo específica.


Espera-se do professor que:

• extraia dos acontecimentos e fenômenos sociais temas atuais no domínio de valores e normas, inserindo-os em seus programas didáticos;
• defina em equipe e consultando os envolvidos como lidar com os pais, propiciando uma direção pedagógica clara e personificada;
• indique quais os limites da sua responsabilidade e onde começa ou continua a responsabilidade dos outros;
• esclareça e proteja o seu direito a uma identidade própria como membro ativo da sociedade.


2.3 CRIA UMA ATMOSFERA PEDAGÓGICA POSITIVA

A atitude e a habilidade do professor desempenham um papel importante na criação de uma atmosfera pedagógica onde todos os alunos possam sentir-se seguros e apreciados. A atmosfera favorável da sala de aula reflete atitudes positivas do professor, como mostrar-se aberto às necessidades dos alunos, possuir curiosidade intelectual, manifestar interesse e respeito pelos alunos.

O professor deve possuir também a habilidade de construir um bom convívio social entre alunos de diferentes origens socioculturais e monitorar as regras inerentes a essa tarefa.

Espera-se do professor que:

• seja capaz de levar em conta as necessidades e os desejos dos alunos;
• saiba criar uma relação de confiança com os alunos;
• mostre que tem expectativas positivas quanto ao comportamento dos alunos;
• esteja consciente das causas e conseqüências de preconceitos e estereótipos ligados a determinados papéis sociais;
• compreenda os processos de dinâmica de grupo;
• estimule o bom convívio entre os alunos;
• seja claro ao estabelecer regras e as formule com declarações positivas;
• saiba lidar com as relações interétnicas no grupo.


2.4 COMPREENDE AS DIFERENÇAS SOCIOCULTURAIS


O professor compreende as diferenças socioculturais entre alunos, levando-as em conta e utilizando-as de forma positiva; evita que se instaure uma atmosfera que leve ao isolamento ou segregação de certos grupos; estimula a solidariedade e a cooperação, com base em objetivos comuns e aptidões compartilhadas.

Espera-se do professor que:

• esteja consciente da posição social desfavorecida de indivíduos e grupos que fazem parte da vida cotidiana dos alunos, na cidade e no bairro;
• compreenda que papéis estereotipados ligados ao gênero podem prejudicar o desenvolvimento dos alunos;
• preocupe-se com a desvantagem na escola causada por origem e posição sociais desfavorecidas;
• estimule os alunos a compreender e a respeitar as diferenças que existem entre eles, reforçando essa compreensão e respeito;
• tome medidas para combater a discriminação na classe, na escola e, se possível, fora dela;
• dê ao ensino um caráter intercultural, utilizando, por exemplo, materiais e estratégias que contemplem a vida de outras culturas e grupos étnicos.


2.5 IDENTIFICA NECESSIDADES DE CUIDADOS SOCIOPEDAGÓGICOS ESPECIAIS

O professor está descobrindo que as diferenças culturais, materiais e ambientais entre os alunos manifestam-se cada vez mais claramente na escola. Espera-se que ele antecipe da melhor maneira possível as conseqüências disso, que identifique abordagens pedagógicas que têm chance de não funcionar com alguns alunos e saiba como e quando apelar para instâncias de acompanhamento e apoio complementar.


Espera-se do professor que:

• conheça em linhas gerais as diferenças do passado dos alunos no seu grupo;
• tenha alguns conhecimentos sobre as causas, manifestações e conseqüências de problemas sociopedagógicos, tais como maus-tratos, negligência e incesto, bem como sinais que indicam semelhantes problemas para alguns alunos;
• tenha algum conhecimento sobre a organização e o funcionamento das instâncias de apoio destinados à juventude.


2.6 ESTIMULA O TRABALHO INDEPENDENTE


O professor oferece aos alunos a oportunidade de trabalhar de forma independente, executando tarefas sem a sua supervisão direta. O trabalho independente tem como objetivo apoiar os alunos a assumir a responsabilidade pelo planejamento das suas próprias atividades. Para que os alunos possam se beneficiar ao máximo, é necessário desenvolver sistematicamente essa estratégia, que pode ser utilizada desde as séries iniciais.


Espera-se do professor que:

• reconheça que existem diferentes níveis de independência;
• ensine os alunos a trabalhar independentemente;
• enfatize as aptidões relativas à aquisição independente de conhecimentos; à independência na coleta, no processamento e na apresentação de informações, bem como as aptidões relativas ao comportamento social e às interações;
• ofereça aos alunos procedimentos e regras que os orientem, descrevendo o que se espera deles, como devem continuar o trabalho e como devem usar o tempo de forma responsável;
• estimule a cooperação entre os alunos e o trabalho em equipe;
• monitore o trabalho independente, registre os progressos e verifique se os trabalhos planejados foram realizados.


2.7 INCENTIVA A COOPERAÇÃO ENTRE OS ALUNOS

O professor supervisiona os alunos na aquisição das habilidades sociais de que necessitam agora e no futuro, para interagir na comunidade onde vivem, trabalham e passam seu tempo livre. Uma aptidão social importante é saber cooperar com diferentes pessoas. Essa habilidade não se desenvolve automaticamente.

O professor enfatiza o ensino e a aplicação de estratégias de cooperação entre os alunos. O ponto de partida é reconhecer que os estudantes aprendem não apenas com o professor, mas também uns com os outros.


Espera-se do professor que:

• considere importante que os alunos aprendam uns com os outros;
• crie situações que provoquem e estimulem a cooperação, proporcionando experiências que envolvam interação direta, dependência mútua e responsabilidade individual;
• organize o processo de aprendizagem no grupo, de modo que a cooperação entre os alunos se realize sem perda de tempo e sem perturbações;
• enfatize a aprendizagem e o exercício das aptidões indispensáveis à cooperação, como a habilidade de escutar, falar e ajudar-se mutuamente;
• observe e supervisione os alunos que cooperam entre si e avalie com eles o processo de cooperação.

3. PROFESSOR COMO ESPECIALISTA EM DIDÁTICA

3.1 ADAPTA MATERIAIS E METODOLOGIAS

O professor trabalha com objetivos didáticos e pedagógicos, muitas vezes emprestados a uma concepção de educação. Para alcançar tais objetivos, geralmente usam “pacotes” de materiais didáticos ou de metodologias, dirigidos a um aluno médio abstrato. Cada professor tem a tarefa de adaptar esses métodos e materiais, de maneira que satisfaçam as necessidades dos seus alunos concretos. Para isso, os professores adaptam, complementam ou rearticulam os meios disponíveis, por meio de instruções orais, escritas, ou por meio de imagens.

Espera-se do professor que:

• conheça as necessidades dos seus alunos quanto a apoio e estímulo à aprendizagem;
• estabeleça a relação entre os objetivos didáticos a alcançar e os valores essenciais a que servem;
• ofereça instruções de apoio, oralmente ou por escrito, para os alunos que devem trabalhar com determinado material didático.

3.2 SELECIONA, UTILIZA E DESENVOLVE MÉTODOS DE ENSINO

O professos deve ser capaz de escolher, usar e eventualmente desenvolver métodos de ensino. Há dois componentes nessa tarefa. Primeiro, o docente dever ser capaz de trabalhar de forma independente com os métodos pedagógicos habituais, abrangendo os seguintes componentes: objetivos, conteúdo, recursos, modo operar, formas de prover acompanhamento, organização de ensino e avaliação. Segundo, também deve conhecer as diversas formas de se conceber um método pedagógico.

Espera-se do professor que:

• escolha objetivos pedagógicos e didáticos coerentes com a sua própria concepção de trabalho, com a identidade e o programa da escola;
• selecione os conteúdos segundo critérios como: avaliação crítica dos valores subjacentes, necessidades dos alunos, objetivos fixados, seu caráter ilustrativo em relação à área mais ampla da qual se originam, possibilidade de ser reconhecidos por diferentes etnias e, eventualmente, seu valor atual;
• escolha e maneje com eficácia as diferentes formas de trabalho e atividades didáticas;
• atue de modo preventivo, sinalizando, diagnosticando e remediando os casos de possível abandono da escola pelo aluno;
• assegure um bom manejo de classe;
• registre e avalie os processos de aprendizagem e de desenvolvimento dos alunos;
• conheça diferentes tipos de métodos pedagógicos (a sua elaboração e função), e os aplique; por exemplo: o trabalho concêntrico, o ensino temático e o ensino por projetos.


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3.3 UTILIZA O MODELO DA INSTRUÇÃO DIRETA

Para ensinar seus alunos, o professor recorre a diferentes modelos instrucionais. Qualquer que seja o modelo escolhido, o professor deve possuir importantes habilidades como: manejar e organizar a classe, planejar, estruturar e coordenar as atividades dos alunos. A instrução direta é um modelo instrucional eficaz, voltado ao ensino direto das aptidões básicas na resolução de problemas. As experiências de aprendizagem dos alunos são, em grande medida, estruturadas pelo professor.


Espera-se do professor que:

• adapte os seus modelos de ensino às capacidades dos alunos;
• formule claramente os objetivos de aprendizagem;
• estruture suas aulas passo a passo, com clareza, e mostre também aos alunos os passos necessários para aplicar com sucesso o que foi aprendido;
• explique claramente aos alunos o que se espera que eles aprendam;
• faça perguntas com alguma regularidade para avaliar o processo dos alunos, bem como verifique se eles realmente estão compreendendo o assunto ensinado;
• ofereça tempo suficiente para que os alunos se exercitem e pratiquem o que foi ensinado, encorajando-os e dando feedback regularmente;
• incentive os alunos a exercitar algumas habilidades tantas vezes quantas foram necessárias, até que se transformem em automatismo;
• supervisione os alunos quando estiverem trabalhando;
• avalie regularmente o trabalho dos alunos, junto com eles;
• selecione conteúdos adequados para os alunos com desempenho acima da média.


3.4 DOMINA O MANEJO DE CLASSE


O sucesso do ensino depende muito da forma como o professor organiza sua classe. Para as turmas constituídas por grupos heterogêneos, uma boa organização é ainda mais importante do que para os grupos homogêneos.
Um planejamento adequado e uma boa organização didática contribuem para que os alunos desenvolvam um comportamento orientado à execução de tarefas.


Espera-se do professor que:

• preveja eventuais situações problemáticas, o que lhe permite tomar decisões adequadas diante de tais situações;
• recorra a formas diferenciadas de ensino, criando uma atmosfera de trabalho positiva e estimulante na classe;
• deixe tudo muito claro para a classe, estabelecendo regras e compromissos junto com os alunos;
• organize o espaço da sala de aula de maneira que este contribua significativamente para uma atmosfera de trabalho produtiva.


3.5 AUXILIA OS ALUNOS A APROVEITAR BEM O TEMPO DE APRENDIZAGEM DEDICADO À REALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES ESCOLARES

O professor conhece a forma como os alunos utilizam o tempo dedicado ao estudo. Sabe que o tempo de estudo efetivo influencia muito o nível de aproveitamento dos alunos. Assim, organiza esse tempo de tal maneira que ele seja utilizado com o máximo de eficácia.


Espera-se do professor que:

• saiba como desenvolver nos alunos uma atitude dirigida à execução das atividades e tarefas escolares;
• descreva o que significa um “comportamento dirigido à execução das tarefas” e um “comportamento não dirigido à execução das tarefas”;
• prepare atividades e tarefas que proporcionem aos alunos oportunidade de experimentar sucesso;
• disponha de materiais de apoio em quantidade suficiente e em lugar a que os alunos tenham fácil acesso;
• planeje cuidadosamente a organização das atividades escolares;
• ajuste as atividades didáticas aos objetivos definidos;
• planeje as atividades dos alunos, ajustando-as a seu nível de desenvolvimento e a seus interesses;
• ofereça instruções claras e abra possibilidades para que trabalhem de forma independente.


3.6 PLANEJA SUAS AÇÕES


À medida que o trabalho torna-se mais complexo, aumenta a necessidade de planejamento. Ao desempenhar suas atividades, o professor lida com planos diários, semanais e anuais. Existem as linhas didáticas, os planos didáticos e o Plano Diretor da escola. Planos de ação especialmente desenhados para as necessidades de cada aluno, em particular, vão-se tornar cada vez mais comuns.

O trabalho escolar requer um comportamento muito sistemático. É necessário, no entanto, manter alguma flexibilidade, deixando espaço para o imprevisto e para ocasiões em que os próprios alunos possam planejar.


Espera-se do professor que:

• elabore planos diários, semanais e um plano anual;
• elabore planos de ação específicos para alguns alunos;
• trabalhe em equipe para desenvolver uma linha didática e implementar componentes do plano da escola;
• possua flexibilidade na planificação e encontre-se entre o comportamento de planejamento e a ação espontânea, intuitiva, abrindo espaço para a improvisação.


4. PROFESSOR COMO MEMBRO DE UMA EQUIPE

4.1 INVESTE EM SEU APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL CONTÍNUO

O professor está cada vez mais envolvido em reuniões onde discute o progresso do ensino e dos alunos. Além disso, a avaliação do ensino, a reflexão sobre as próprias experiências profissionais e a capacitação regular em serviço são necessárias para que ele possa continuar a trabalhar de modo eficaz em um ambiente educacional que muda cada vez mais rapidamente.


Espera-se do professor que:

• reflita sistematicamente o seu trabalho, registre e processe regularmente os dados que resultam dessa reflexão, ajustando-os ao seu próprio conceito de trabalho;
• conheça as formas de auto-avaliação do ensino e saiba aplicar um sistema de acompanhamento dos alunos;
• formule, baseando-se em reflexão e avaliação, suas demandas por educação profissional continuada;
• reúna-se regularmente com os colegas para discutir o processo de seu trabalho e para estabelecer compromissos na escola;
• comunique-se, nas reuniões, de forma objetiva e orientada para a identificação de soluções, de acordo com os compromissos da política educacional da escola.


4.2 SOLICITA A CONSULTORIA DOS COLEGAS E OFERECE CONSULTORIA A ELES


O professor esforça-se por melhorar as suas próprias qualidades profissionais, inclusive contando com o apoio de seus colegas. A observação recíproca do trabalho do outro em sala de aula, seguida de feedback (consultoria direta), permite aos professores aumentar o seu profissionalismo e as suas competências. Mas isso exige que eles estejam dispostos a romper o isolamento.

Através do diálogo, os professores formam uma idéia mais precisa de suas próprias habilidades e das aptidões dos colegas, esclarecem os motivos de certas ações e verificam em conjunto por que acontecem certos incidentes.

É possível, também, discutir de maneira estruturada a prática docente, por meio de uma consultoria indireta, isto é, sem observar o comportamento do colega na sala de aula. De qualquer modo, supervisionar colegas no aperfeiçoamento de suas qualidades didáticas requer que o docente desenvolva sua qualidades de consultor.

É importante lembrar que resultados positivos serão atingidos apenas se, entre as duas pessoas envolvidas no processo de dar e de receber consultoria, existir um clima de compreensão e respeito mútuo e elas sentirem que aspiram o mesmo objetivo.


Espera-se do professor que:

• inspire confiança;
• faça perguntas, de modo a estimular os colegas a pensar sobre suas ações e respectivas conseqüências, sobre os problemas que enfrenta na sala de aula e sobre as soluções possíveis;
• reaja às propostas dos colegas, esclarecendo, organizando idéias e resumindo-as;
• amplie o repertório de ações dos colegas, apresentando alternativas e estimulando-os a assumir as responsabilidades pelo processo de aprendizagem dos alunos.


4.3 PROCURA ESTABELECER PARCERIAS

O professor está cada vez mais envolvido em atividades que exigem contatos fora da escola e extrai daí conseqüências par o próprio trabalho. Deve considerar os desejos dos pais, as possibilidades financeiras e a relação com outras escolas e instituições. Assim, tarefas escolares de ordem geral tendem a aumentar. Além disso, o professor e sua equipe devem conhecer e apoiar a identidade de sua escola. Deve, ainda, ser capaz de esclarecer essa identidade a terceiros. O professor também precisa ser capaz de estabelecer uma relação positiva com os pais e com outros parceiros envolvidos.


Espera-se do professor que:

• em equipe, implemente a política da escola, adequando-a ao seu conceito de trabalho;
• dentro da equipe, contribua para a distribuição adequada de tarefas, baseada na quantidade de horas disponíveis, nos interesses e nas qualidades do grupo;
• represente, individualmente, a identidade da escola onde trabalha;
• encontre um novo equilíbrio entre a concretização da sua tarefa primária, que é ensinar, e as tarefas escolares gerais;
• tome conhecimento de grupos, instituições ou empresas que possam cooperar com o desenvolvimento do ensino e saibam como e quando seria eficaz utilizar estes recursos.


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4.4 COMPARTILHA INFORMAÇÕES E DIALOGIA COM PAIS E TUTORES

A responsabilidade pedagógica por um aluno é compartilhada entre os professores e seus pais/tutores. Escola e família têm responsabilidades dificilmente dissociáveis. Um aluno que enfrenta problemas específicos em casa, por exemplo, vai exigir muito do professor. É preciso que exista comunicação regular entre o professor e os pais, sobre o bem-estar e os progressos do aluno. Só assim ambas as partes podem assumir efetivamente as suas responsabilidades. Isso torna-se mais urgente caso o ambiente familiar e o da escola sejam extremamente distintos.

Espera-se do professor que:


• possa oferecer regularmente informações sobre o progresso dos alunos, tanto sobre o aproveitamento escolar como sobre o desenvolvimento da sua personalidade;
• informe-se sobre o passado dos alunos e dos seus pais;
• recorra a formas diversificadas de comunicação, adequando-as à natureza e ao estilo de vida das famílias dos alunos.


Fonte
Este texto foi reproduzido da publicação “Pequenos Passos Rumo ao Êxito para Todos” da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo


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Entrevista Phillipe Perrenoud

NOVA ESCOLA> Qual a diferença entre o pensamento e a reflexão?
Philippe Perrenoud< Pensar é uma atividade permanente e espontânea do ser humano, que acontece mesmo durante o sono. Já a prática reflexiva normalmente é instigada pelo aparecimento de um problema, e requer um certo método. O pensamento acompanha a ação; a reflexão pode interrompê-la, precedê-la, segui-la, suspendê-la...

NE> Por que é importante que os professores reflitam sobre a prática?
Perrenoud< É importante para todos, na profissão, no esporte, nas artes, nos relacionamentos, compreender por que as coisas acontecem de determinada forma, por que alguns projetos dão certo e outros não. No caso do magistério, isso se torna ainda mais relevante, já que se trata de uma profissão em que é preciso lidar diariamente com o fracasso. Ensinar é uma prática extremamente complexa, que jamais será eficaz para todos os alunos. Depende de estratégias pedagógicas, de uma boa combinação de conteúdos e táticas. E principalmente dos estudantes – da sua cooperação, da sua vontade de aprender. A reflexão ajuda o professor a compreender cada vez melhor o que está em jogo e a ter controle sobre isso. A antecipar, prever eventualidades, construir cenários...

NE> Isso acontece dentro ou fora da escola?
Perrenoud< Em classe, o professor tem de dar respostas em tempo real. Se a turma está agitada, ou se um aluno se recusa a fazer um trabalho, não pode parar para consultar um livro ou para pedir a opinião de um colega. Ele toma uma atitude, que às vezes é boa; às vezes não. É em casa que revê e detalha o que foi feito e que pode compreender por que as coisas foram bem ou mal sucedidas.

NE> Esse processo requer um certo método...
Perrenoud< A prática reflexiva não é uma resposta pontual a uma crise; é um hábito, um jeito de ser, uma exigência, uma forma de identidade profissional, um jogo e um prazer. Nós refletimos quando estamos no engarrafamento, no banho, passeando na praça. Mas é preciso algum método para bem observar e analisar o que se passa, desafazer-se dos pré-julgamentos, vislumbrar novos caminhos, formular hipóteses, transformar em palavras uma idéia vaga que lhe surge na rua. Isso inclui momentos de leitura, de escrita, de observação mais apurada.

NE> Refletir é um ato solitário?
Perrenoud< A troca de experiências e opiniões com os colegas é sempre fundamental, porque encoraja e nos faz ir mais longe. Mas, por melhor que seja a equipe pedagógica, nunca há tempo para discutir sobre tudo. É necessário ter um momento sozinho para rever o que foi feito e compreender por que as coisas foram bem ou mal sucedidas.

NE> Que competências o professor deve ter para se tornar um profissional reflexivo?
Perrenoud< Antes de mais nada, é preciso ter espírito crítico, energia, curiosidade e perseverança. Deve ser capaz de observar, analisar, tirar proveito das experiências, organizar as idéias, debater, pesquisar, questionar-se. São as competências que todo professor supostamente tem; o que falta é aplicá-las na própria ação.

NE> Como desenvolver a prática reflexiva?
Perrenoud< Alguns profissionais conseguem desenvolvê-la sozinhos, espontaneamente. Mas, se queremos atingir todos os professores, é preciso colocá-la no centro da formação, exercitá-la metodicamente na universidade, dar as ferramentas e, melhor ainda, servir-se dela como instrumento de formação, por meio de estudos de caso, análise de práticas, pesquisas... Hoje, a maior parte dos programas de formação falam da prática reflexiva, mas se os olhamos de perto percebemos que trata-se apenas de discurso. Se a escola começar a formar alunos reflexivos, o trabalho de formação profissional será mais simples.
 

Fonte
 Revista Nova Escola

O menininho
Helen E, Buckley


Era uma vez um menininho bastante pequeno que contrastava com a escola bastante grande. Quando o menininho descobriu que podia ir à sua sala caminhando pela porta da rua, ficou feliz. A escola não parecia tão grande quanto antes.
Uma manhã a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer um desenho!
-Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de desenhar. Leões, tigres, galinhas, vacas, trens e barcos... Pegou sua caixa de lápis de cor e começou a desenhar.
A professora então disse:
- Esperem, ainda não é hora de começar! Ela esperou até que todos estivessem prontos e disse:
- Agora nós iremos desenhar flores.
O menininho começou a desenhar bonitas flores com seus lápis rosa, laranja e azul, quando escutou a professora dizer:
- Esperem! Vou mostrar como fazer! E a flor era vermelha com o caule verde. Assim, disse a professora. Agora vocês podem começar a desenhar.
O menininho olhou para a flor da professora, então olhou para a sua flor. Gostou mais da sua flor, mas não podia dizer isso... Virou o papel e desenhou uma flor igual a da professora. Era vermelha com o caule verde.
Num outro dia, quando o menininho estava em aula ao ar livre, a professora disse:
- Hoje nós iremos fazer alguma coisa com o barro.
Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de trabalhar com barro. Podia fazer com ele todos os tipos de coisas: elefantes, camundongos, carros e caminhões. Começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Então a professora disse:
- Esperem! Não é hora de começar! Ela esperou até que todos estivessem prontos.
-Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.
Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse:
- Esperem! Vou mostrar como se faz. Assim, agora vocês podem começar. E o prato era um prato fundo.
O menininho olhou para o prato da professora, olhou para o próprio prato e gostou mais do seu, mas ele não podia dizer isso. Amassou seu barro numa grande bola novamente e fez um prato fundo igual ao da professora.
E muito cedo o menininho aprendeu a esperar e a olhar e a fazer as coisa exatamente como a professora. E muito cedo ele não fazia mais coisas por si próprio.
Então, aconteceu que o menininho teve que mudar de escola. Esta escola era maior ainda que a primeira. Ele tinha que subir grandes escadas até a sua sala.
Um dia a professora disse:
- Hoje nós vamos fazer um desenho
Que bom! Pensou o menininho e esperou que a professora dissesse o que fazer. Ela não disse. Apenas andava pela sala. Quando veio até o menininho perguntou:
-Você não quer desenhar?
-Sim, o que nós vamos fazer?
-Eu não sei até que você o faça
- Como eu posso fazê-lo?
-Da maneira que você gostar
-E de que cor?
- Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber qual é o desenho de cada um?
-Eu não sei! Respondeu por fim o menininho e começou a desenhar uma flor vermelha com o caule verde

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